Golpes Bancários em 2026: Principais Fraudes e Como se Proteger
- João Falanga
- há 13 minutos
- 5 min de leitura

Antes de tudo, é preciso dizer o óbvio: sim, este é um assunto repetitivo. Todos os anos falamos sobre golpes bancários, fraudes digitais e cuidados com dados pessoais. E todos os anos muitas pessoas pensam: “isso nunca vai acontecer comigo”.
Ainda assim, é exatamente por isso que o tema precisa ser amplamente divulgado.
Trabalho em banco há anos e posso afirmar com segurança: os golpes não apenas continuam acontecendo como estão mais sofisticados, mais personalizados e mais difíceis de identificar.
Em 2026, a combinação de engenharia social, vazamento de dados, inteligência artificial e pressa do dia a dia criou um cenário em que qualquer correntista pode ser vítima.
Este artigo reúne os principais golpes bancários aos quais você deve ficar atento em 2026, explicando como funcionam, por que são perigosos e o que torna cada um deles tão eficaz. A ideia não é gerar medo, mas consciência. Informação ainda é a melhor forma de proteção.
2. Golpe do Pix agendado ou devolução falsa
O Pix segue sendo um dos principais alvos de fraude em 2026.
Nesse golpe, o criminoso envia um comprovante falso de Pix agendado ou uma mensagem dizendo que um valor foi enviado “por engano” e pede a devolução imediata.
Por favor clientes, olhem o comprovante e vejam se é um PIX agendado. Uma rápida leitura já ajuda.
A vítima, ao ver o comprovante, acredita que o dinheiro já está a caminho e faz a devolução. O Pix original nunca existiu.
Há também variações em que o golpista envia um Pix de valor baixo e depois solicita a devolução de um valor maior, alegando erro.
Por que merece atenção: A instantaneidade do Pix joga contra o correntista. A pressa em resolver e o medo de “ficar com dinheiro alheio” levam a decisões rápidas e sem conferência.
3. Golpe do QR Code adulterado
Cada vez mais presente em restaurantes, estacionamentos, condomínios e eventos.
O criminoso substitui um QR Code legítimo por outro que direciona o pagamento para sua conta. A vítima paga normalmente, acreditando que quitou a despesa.
Em 2026, há casos de QR Codes dinâmicos que levam a páginas falsas, idênticas às de bancos ou maquininhas.
Então cliente, olhe o destinatário do PIX ou QR Code antes de por a senha de liberação. Como já disse, uma rápida conferida faz toda a diferença.
Por que merece atenção: Visualmente, é quase impossível identificar a fraude. O erro só é percebido quando a cobrança aparece novamente ou quando o produto não é entregue.
4. Golpe do motoboy bancário (versão 2026)
Muitos acreditam que esse golpe acabou. Ele apenas se adaptou.
Agora, o contato inicial costuma ser digital. O falso funcionário informa que o cartão foi clonado e que um motoboy irá buscá-lo para “perícia”. A vítima é orientada a cortar o cartão, mas não danificar o chip.
Enquanto isso, os criminosos já possuem dados suficientes para realizar compras ou saques.
Por que merece atenção: Apesar de amplamente divulgado, ainda faz vítimas diariamente, especialmente pessoas mais velhas, mas não apenas elas.
Prezado cliente: nenhum banco, eu disse NENHUM BANCO, tem este serviço de mandar buscar cartão via motoboy. SE PEDIR BLOQUEIO DO CARTÃO, SISTEMA DO BANCO JÁ O CANCELA DE FATO.
5. Golpe com deepfake de voz ou vídeo
Uma das maiores novidades dos últimos anos.
Criminosos usam áudios reais retirados de redes sociais, mensagens de WhatsApp ou vídeos para clonar a voz de parentes, chefes ou gerentes.
Em empresas, é comum o golpe do “diretor pedindo transferência urgente”. Em famílias, o áudio de um filho pedindo ajuda financeira imediata.
Por que merece atenção: A voz é um fator emocional poderoso. Quando reconhecemos o som de alguém próximo, nossa capacidade crítica diminui drasticamente.
6. Golpe do falso investimento vinculado ao banco
O golpista se apresenta como assessor, gerente ou parceiro de uma grande instituição financeira, oferecendo investimentos com retorno acima da média e “risco controlado”.
O contato costuma ser feito por redes sociais ou WhatsApp, com materiais bem produzidos, contratos falsos e até sites clonados.
Por que merece atenção: Muitos correntistas confiam na marca do banco e não confirmam se o canal é oficial. Em 2026, esses golpes estão visualmente quase perfeitos.
Dica importante: tenha em mente que quando "assessor financeiro" diz que investimento tem retorno acima da média, já pode desconfiar. Consulte seu gerente de banco ou mesmo serviço de assessoria financeira do banco, como por exemplo a BB Asset Management. Outros bancos tem uma assessoria similar. Não dê uma de "egípcio" e entre em um esquema de pirâmide.
7. Golpe do marketplace e links falsos de pagamento
Muito comum em compras online.
O vendedor envia um link que supostamente leva ao ambiente seguro do marketplace, mas na verdade é uma página falsa que captura dados do cartão ou redireciona o pagamento para outra conta.
Em alguns casos, o golpe ocorre fora da plataforma, após o primeiro contato legítimo.
Por que merece atenção: A pressa para fechar negócio e preços atrativos fazem com que o consumidor ignore pequenos sinais de alerta.
8. Golpe envolvendo Open Finance e autorizações indevidas
Com o avanço do Open Finance, surgiram novos tipos de fraude.
Criminosos induzem o cliente a autorizar o compartilhamento de dados com instituições falsas ou aplicativos maliciosos. Com isso, conseguem acesso a informações financeiras detalhadas.
Por que merece atenção: O Open Finance é seguro quando usado corretamente, mas ainda pouco compreendido pela maioria das pessoas.
9. Golpe do empréstimo consignado ou crédito facilitado
A vítima recebe uma oferta de crédito com aprovação imediata, sem burocracia. Para “liberar” o valor, é solicitado um pagamento antecipado de taxa ou seguro.
Após o pagamento, o contato desaparece.
Por que merece atenção: Em momentos de dificuldade financeira, o senso crítico diminui. Golpistas sabem disso e exploram exatamente essa fragilidade.
Como diria o Saudoso Padre Quevedo "isto no ecsiste".
10. Malware bancário e aplicativos falsos
Em 2026, os malwares estão mais silenciosos.
Eles se instalam a partir de aplicativos falsos, links enviados por SMS ou e-mails que simulam comunicações oficiais. Uma vez no celular, capturam dados, telas e até comandos de teclado.
Por que merece atenção: Mesmo usuários atentos podem ser enganados. Manter aplicativos atualizados e baixar apenas das lojas oficiais é fundamental.
Considerações finais: atenção constante é a única defesa real
Se há algo que aprendi trabalhando em banco é que fraude não escolhe perfil.
Jovens, idosos, pessoas instruídas, empresários, funcionários do setor financeiro.
Todos podem ser vítimas.
Em 2026, os golpes bancários são mais tecnológicos, mais humanos e mais convincentes. Não basta apenas “desconfiar”. É preciso:
Confirmar informações por canais oficiais
Nunca agir sob pressão
Desconfiar de urgência extrema
Falar sobre o assunto com família e colegas
Repetir este tema não é excesso. É prevenção.
Se este artigo fizer uma única pessoa parar, pensar e evitar um golpe, ele já cumpriu seu papel. Compartilhe. Fale sobre isso. Informação ainda salva dinheiro, tempo e tranquilidade.






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