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A FAZENDA DOS HORRORES: Um paralelo entre um reality show e mundo corporativo.

Atualizado: 15 de nov. de 2022


Não sou fã de realities shows, nem assisto com frequência a este tipo de programa, mas, como as redes sociais e principalmente sites de fofocas estão disparando notícias a cada momento, sobre o que está acontecendo no principal reality show da TV Record de televisão, com nome de “ A Fazenda”, despertou uma certa de curiosidade. E me fez refletir sobre o quanto uma pessoa pode se submeter a uma situação embaraçosa para se ter o tal do sucesso.


O programa é famoso por colocar "celebridades'' ou mesmo “sub-celebridades” confirmadas em um espaço cercado por câmeras e que transmitem tudo o que acontece 24 horas por dia. Mesmo formato do seu programa irmão “Big Brother Brasil” , da TV Globo de televisão. Com a diferença que neste, até o ano de 2019, as pessoas que eram confinadas, eram tidas como “desconhecidas”.


Na verdade, o que venho escrever aqui é que desde sempre ,estes programas de confinamento de pessoas, sempre tem os seus conflitos entre os participantes, já que está em disputa um prêmio em dinheiro. O que atrai o público neste tipo de programa, não é como a pessoa se comporta lá dentro (isso foi no passado, quando o formado foi lançado no início dos anos 2.000), e sim os conflitos entre as pessoas que estão lá.


Sim, o que quero dizer é que ,vamos ser sinceros, as pessoas assistem a este programa para ver pessoas trocando ofensas, e farpas, armando “estratégias” de retirar ou mesmo humilhar seu adversário. Tudo em nome do “jogo” e claro, do prêmio em dinheiro.


O reality da TV Record, já nasceu com formato de “convidar” “celebridades” (que já foram esquecidas pela mídia e que foram famosas em algum lugar no passado) e confiná-las em um local que reproduz uma fazenda. Este formato foi originalmente criado em 2001 pela produtora sueca Strix e produzida em associação com a Sony Entertainment e Endemol, já foi apresentado com sucesso em mais de 40 países, como as edições da Alemanha, Reino Unido, Líbano, França, Grécia, Chile, Hungria e Turquia.



O reality show mostra um lado desconhecido dos participantes que serão testados em tarefas típicas do meio rural, isolados do mundo exterior e dos meios de comunicação de massa (como jornais, telefones, televisão e internet), tendo todos os passos seguidos pelas câmeras 24 horas por dia, sem privacidade por três meses e ainda provar que são inteligentes e fortes o bastante para aguentar as armadilhas de um confinamento.


Eles têm que lidar com questões comuns ao meio artístico, como vaidade e opinião pública, além de temas bem pessoais, como amizade, amor, raiva e a saudade de casa. Os concorrentes, competem pela chance de ganhar o grande prêmio, evitando a eliminação semanal, até a última celebridade permanecer no final da temporada. (Fonte: Wikipedia).


Feito este resumo, o que quero abordar e voltando ao início deste texto é o seguinte: a atual temporada está demasiadamente, com clima “pesado”. O pouco que vi e pude me informar é que as atuais “celebridades” estão trocando ameaças entre si (sim, inclusive ameaça contra a vida de alguns participantes), o que em si já se configura um crime, fora as injúrias cometidas, praticamente todos os dias da semana. O clima no lugar chega a um nível de tensão, que já foram relatados, tentativas de vias de fato e mesmo, pequenas agressões, as quais a produção do programa, alega não ter visto, ou mesmo quando visto, a pessoa fez agressão sobre a influência de álcool (aliás estratégia bastante utilizada por advogados para justificar agressões e ofensas, por sinal).


Entre os jornalistas que comentam este tipo de "entretenimento" há uma certa unanimidade que os produtores do programa perderam o controle da situação e que a coisa toda passou de um limite (abrindo parênteses de novo: tem limite para ofensa e ameaça? Até que ponto posso ofender e ameaçar alguém sem ser processado? Não configura crime o ato em si? ), e está ruim de comentar o programa.


Quinta feira dia 20 de outubro de 2022, chegou ao limite de dois participantes terem se agredido durante a transmissão ao vivo, sendo que um deles, já era notoriamente conhecido pelo seu descontrole emocional. Venho a saber depois que este mesmo participante foi escolhido a dedo pela produção do programa, pois o mesmo já tinha entrado em algumas polêmicas, aliás alguns dos participantes só entraram neste programa, por terem fama de serem “problemáticos”.


Não, não vou dar nomes, até porque gente assim só entra neste tipo de programa, para ganhar os seus minutos de fama e seguidores nas redes sociais. Eles já contratam pessoas para fazerem este trabalho, então não vou fazer um favor a eles. O que me surpreende também, é que existem duas profissionais do Direito no reality e são as pessoas que mais estão em conflito. Aliás, nos vídeos que vi, umas delas, ameaça as outras pessoas, como se estivesse em uma conversa normal.


Dito isso, vem minha indagação, o que já devem ter feito por aqui : vale a pena uma pessoa se sujeitar a este tipo de coisa, para se ter o tal do “sucesso/fama” ? Percebo que não só neste tipo de programa se tem estes acontecimentos. Basta ver os vídeos que são vinculados no Youtube, sendo que os que fazem mais sucesso são os que as pessoas se submetem a situações vexatórias em troca de “likes”.


Nas empresas, principalmente em grandes corporações, vi este tipo de coisa. Já ouvi relatos de pessoas que passam por cima de outras para conseguir o tão almejado cargo. Aliás, já vi um documentário em que uma estagiária planejou a morte da chefe para se efetivar no cargo (isto ocorreu no Brasil).


Vemos pessoas se submeterem a verdadeiras exposições dignas de vergonha em redes sociais, em busca de likes e presentes.


Não sou contra as curtidas e os presentes em lives. Vejo muitas lives em redes sociais, em que pessoas estão explicando matemática, falando sobre psicologia ou mesmo sobre política (sem aquela polarização maldita) que agregam muito conhecimento aos espectadores. Vejo muitos vídeos sendo lançados na internet, com intenção de mostrar um fato curioso do passado. Acho legal essas iniciativas, mas ao que me parece, as dancinhas e propagação de música de gosto duvidoso é que engaja mais.


Vídeos, publicações, notícias, lives, que poderiam ter um conteúdo relevante ficam em segundo plano. Como acham que via as notícias sobre o reality citado no início deste texto? Nem precisei procurar.


Meu caro leitor, fica a pergunta, vale a pena fazer tudo pelo sucesso ? Inclusive por sua saúde mental (como os participantes dos realities o fazem) para conseguir algo na vida, nem que seja seus quinze minutos de fama? (desculpe o clichê).


Comentem por favor.