O Escândalo da DM9 em Cannes: A Vergonha que Manchou o Brasil na Publicidade Mundial
- João Falanga
- 29 de jun.
- 4 min de leitura
Atualizado: 17 de ago.

Eu como brasileiro, quero acreditar que existem pessoas honestas neste país. Mas vendo a história abaixo, começo a ficar preocupado. É sempre assim que brasileiro consegue as coisas? No "jeitinho"?
Não acreditam aqui estão as matérias:
URGENTE: DM9 perde Grand Prix em Cannes após manipulação de case:
Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/marketing/dm9-perde-grand-prix-em-cannes-apos-uso-de-ia-em-video-de-case/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento
Eu explico para vocês mais esta vergonha internacional para o Brasil.
Uma vitória construída em cima de uma farsa
O que era pra ser um momento de glória para a publicidade brasileira virou, em poucas horas, uma mancha difícil de limpar. A agência DM9, símbolo da criatividade nacional e pertencente ao poderoso grupo DDB Worldwide, viu seu Grand Prix em Creative Data no Cannes Lions 2025 ser sumariamente revogado. Motivo?
Manipulação com inteligência artificial para criar uma narrativa falsa — simulando dados, resultados e até imagens de acontecimentos que nunca existiram.
Não foi apenas um erro de julgamento. Foi um caso claro de fraude criativa, com direito a vídeo de case enganoso, imagens alteradas, e uso de IA para inventar fatos com aparência de verdade. A DM9 tentou pintar uma realidade paralela para ganhar um dos prêmios mais cobiçados do setor. E conseguiu — até ser desmascarada.
🧨 Quando a bolha estoura: da euforia à vergonha
A denúncia que derrubou o castelo de cartas
A casa caiu com a denúncia de um whistleblower que alertou a Ad Age sobre o conteúdo manipulado. O escândalo ganhou corpo com a descoberta de trechos extraídos e modificados da CNN Brasil no vídeo da campanha premiada — algo que levou a própria emissora a formalizar uma queixa contra a DM9 e a Whirlpool, dona da marca Consul.
A resposta da agência foi protocolar, burocrática, quase cínica: "erros na produção e submissão". Como se fosse possível vencer Cannes com um vídeo manipulado sem ninguém da cúpula saber.
👎 Um Grand Prix perdido… e muito mais
Outras campanhas foram voluntariamente retiradas
Após uma "investigação profunda" realizada pelo próprio festival em conjunto com auditores independentes e a DM9, foi tomada a decisão pela revogação do Grand Prix. Mas não parou por aí: outras duas campanhas vencedoras também foram retiradas:
“Plastic Blood” para a OKA Biotech
“Gold = Death” para a Urihi Yanomami
Segundo o comunicado oficial de Cannes Lions:
“Todas as partes reconhecem que o nível de legitimidade não atendeu ao padrão necessário.”
Em bom português? Foi tudo tão mal feito e antiético que nem com jeitinho dava pra manter. Foi preciso jogar fora o pacote inteiro.
🎯 Cannes reage: novas regras contra abusos com IA
O escândalo obrigou o próprio festival a tomar atitudes drásticas. Entre as novas medidas estruturais, destacam-se:
Obrigatoriedade de declarar o uso de IA em qualquer peça submetida
Código de Conduta reforçado para todos os participantes
Ferramentas de detecção de conteúdo manipulado
Comitê de Ética e Inteligência Artificial para julgar abusos
A mensagem foi clara: não basta ser criativo — tem que ser verdadeiro. E se depender de Cannes, o uso de IA para falsificar a realidade vai custar caro daqui pra frente.
🧠 A resposta da DM9: "comitê de ética" às pressas
Depois de ver seu nome arrastado pela lama internacional, a DM9 anunciou que pretende criar seu próprio Comitê de Ética em IA. Iniciativa louvável — mas absolutamente tardia e reativa.
Confiança é construída com coerência, não com comunicados de crise. Em um setor onde a reputação é tudo, a DM9 agora terá que reconstruir seu prestígio do zero. E mesmo que consiga, nada garante que o mercado esquecerá tão cedo a vergonha de Cannes 2025.
⚖️ Reincidência? Fantasmas do passado ressurgem
Essa não foi a primeira vez que a DM9 se viu no centro de polêmicas sobre a legitimidade de suas criações. Em 2001, uma investigação da Ad Age já havia apontado o uso de um suposto "ghost ad" (anúncio fantasma) da Parmalat, que teria sido veiculado apenas para preencher requisitos técnicos e garantir vaga em Cannes.
Duas décadas depois, o padrão se repete. Isso não é coincidência — é padrão operacional. Um modus operandi que valoriza o troféu acima da verdade, e a autopromoção acima da ética.
Me lembrou aquele caso da ex-BBB Juliete, ao qual me recuso a chamar de cantora, na polêmica que envolveu uma campanha publicitária da Bauducco.
Vou deixar também indicado o artigo sobre isso lá embaixo.
🚫 O preço de querer enganar o sistema
A DM9 tentou burlar a confiança do mercado criativo global com deepfakes publicitários, manipulações de dados e narrativa inventada. Fez isso pra ganhar destaque, status, manchetes. Ganhou tudo isso — mas pelos motivos errados.
A consequência?
Perda de prêmios
Saída de liderança
Credibilidade destruída
Nome associado à fraude
Tudo por uma sede insaciável de reconhecimento. Uma agência que, ao invés de inspirar, agora serve de exemplo negativo nas escolas de publicidade.
📉 Lições para o mercado publicitário brasileiro
Transparência não é opcional. É pré-requisito.
IA é ferramenta, não atalho. Usá-la para forjar realidade é suicídio reputacional.
Premiação não é validação moral. Cannes não torna ético o que nasce errado.
Quem vive de aparências, morre de escândalo.
📌 Conclusão: um tropeço que ecoa mundialmente
A queda da DM9 em Cannes não é apenas o vexame de uma agência. É um alerta vermelho para toda a publicidade brasileira, que muitas vezes confunde criatividade com esperteza, e ousadia com falta de limites.
O mundo está de olho. A IA pode até gerar ideias, mas não substitui a ética, o compromisso com a verdade, nem o respeito ao público. E se for usada como arma para vencer festivais, que venham mais Cannes Lions para cortar sem piedade.
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