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INSS Agibank: Contrato Suspenso; Entenda o Caso e Seus Direitos

 Ilustração de um documento oficial com os logos do INSS e do Agibank e um selo de "suspenso" sobreposto.


Em um movimento que pegou muitos de surpresa, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) colocou um freio na sua relação contratual com o Banco Agibank S.A., uma das instituições responsáveis pelo pagamento de benefícios previdenciários. A notícia, que caiu como uma bomba na terça-feira, dia 12, levanta uma série de questões cruciais para aposentados e pensionistas. A suspensão, segundo o INSS, não foi uma decisão tomada de ânimo leve. Pelo contrário, ela serve como uma medida cautelar para investigar o que o órgão descreve como "graves suspeitas de violações" no contrato de prestação de serviços.


Mas o que isso realmente significa para o beneficiário que está na ponta? Será que o seu pagamento está em risco? Como nós, cidadãos e segurados, podemos navegar por este cenário complexo e, por vezes, confuso? Vamos mergulhar fundo nesta questão, desvendando cada camada dessa disputa para que você entenda não apenas o que aconteceu, mas também quais são seus direitos e os próximos passos a seguir. Acompanhe-nos nesta jornada para decifrar a polêmica entre INSS e Agibank.


Entendendo a Raiz do Problema: As Acusações do INSS


Para compreender a magnitude da decisão do INSS, precisamos olhar para as denúncias que a motivaram. Não se trata de uma mera formalidade burocrática; estamos falando de acusações que tocam em pontos sensíveis da relação entre o banco e os segurados, como a comunicação, a liberdade de escolha e a transparência.


A Suposta Interceptação de Ligações para a Central 135


Imagine a seguinte cena: você, beneficiário do INSS, precisa tirar uma dúvida, registrar uma queixa sobre um desconto que considera indevido ou simplesmente obter uma informação sobre seu benefício. O caminho natural, e oficial, é ligar para a Central 135. Agora, imagine que, ao tentar fazer essa ligação do seu celular, algo estranho acontece. A chamada é, de alguma forma, desviada ou bloqueada, e você é direcionado para o aplicativo do banco onde recebe o pagamento.


Essa é, em essência, a principal acusação feita pelo INSS. Denúncias de segurados apontam que o aplicativo do Agibank, uma vez instalado no smartphone, estaria interceptando e redirecionando as chamadas para o 135. O resultado? Uma barreira de comunicação direta com o órgão previdenciário. Nas palavras do próprio INSS, essa prática "impedia que os beneficiários acessassem informações sobre seus benefícios, registrassem reclamações — inclusive sobre ressarcimento de descontos indevidos — ou obtivessem qualquer atendimento oficial do INSS". É como tentar falar com um amigo, mas a ligação ser sempre atendida pelo vizinho dele, que insiste em ser o intermediário da conversa.


A Recusa da Portabilidade de Benefícios


Outro pilar das acusações envolve a portabilidade do benefício. A portabilidade é um direito do segurado. Se você não está satisfeito com o banco onde recebe seu pagamento, seja pelas taxas, pelo atendimento ou por qualquer outro motivo, você tem o direito de solicitar a transferência do seu benefício para outra instituição financeira de sua escolha, sem custos.


De acordo com o INSS, choveram queixas de que o Agibank estaria negando esses pedidos de portabilidade sem apresentar justificativas plausíveis. Pior ainda, há relatos de "supostas retenções indevidas de valores dos beneficiários", o que agrava ainda mais a situação. A liberdade de escolha do segurado, um direito básico, estaria sendo cerceada, prendendo-o a uma instituição contra a sua vontade.


A Defesa do Agibank: Ponto por Ponto


Diante de acusações tão sérias, o Agibank não se calou. O banco veio a público para negar veementemente as irregularidades, apresentando sua versão dos fatos e buscando esclarecer cada uma das alegações. Vamos analisar os argumentos da instituição financeira.


Sobre a "Interceptação" de Chamadas: Uma Questão de Tecnologia?


O Agibank contra-argumenta a acusação de interceptação de forma categórica. O banco afirma que "não realiza qualquer interceptação, bloqueio ou impedimento de chamadas destinadas à Central 135". Então, o que estaria acontecendo?

Segundo a instituição, o que ocorre é um serviço de "redirecionamento do usuário para o aplicativo Meu INSS". Essa funcionalidade seria viabilizada por meio de uma tecnologia da empresa DMA (DialMyApp). O banco sustenta que, em nenhuma hipótese, a chamada para o 135 é desviada para o app do Agibank. O direcionamento, segundo eles, "ocorre exclusivamente para o ambiente oficial do INSS", seguindo parâmetros técnicos definidos pelo próprio órgão.


O Agibank ainda ressalta que este modelo tecnológico é amplamente utilizado, não apenas pelo INSS, mas por mais de 160 empresas, incluindo grandes bancos, o que demonstraria ser uma prática legítima e consolidada no mercado. É como se, ao invés de interceptar a ligação, o sistema oferecesse um "atalho" digital para o canal de autoatendimento oficial do INSS.


A Convocação de Clientes e os Descontos Associativos


O INSS também apura reclamações de que o banco estaria convocando beneficiários às suas agências. O pretexto seria tratar de descontos indevidos feitos por entidades associativas entre março de 2020 e março de 2025, prometendo a restituição dos valores. Para o INSS, essa prática é uma infração gravíssima, pois "nenhuma instituição financeira está autorizada a atuar como intermediária ou portal de entrada para os canais oficiais de atendimento do instituto".


O Agibank se defende, afirmando que os descontos indevidos feitos por associações não têm qualquer relação com seus produtos ou serviços. O banco nega ter feito qualquer convocação. A comunicação, segundo eles, foi realizada via notificação "push" no aplicativo, teve um "caráter estritamente informativo" e atingiu menos de 1% da sua base de clientes. O objetivo, de acordo com o banco, era apenas disponibilizar seus canais para esclarecimentos e orientar os clientes sobre como solicitar o ressarcimento diretamente ao INSS, facilitando o acesso para quem tem dificuldades com ferramentas digitais.


A instituição declara ainda que, assim que recebeu uma orientação formal do INSS para cessar esse tipo de apoio, a medida foi "imediatamente suspensa", reforçando seu compromisso com a boa-fé.


A Liberdade de Portabilidade: Uma Garantia, Segundo o Banco


Sobre as acusações de dificultar a portabilidade, o Agibank reitera que "não existe qualquer procedimento destinado à retenção de portabilidade de benefício". O banco enfatiza que a decisão e o processo de mudança de instituição financeira são realizados exclusivamente pelo beneficiário, seja no INSS ou no banco de destino, sem qualquer interferência do Agibank.


E Agora? O Que Acontece com o Meu Benefício?


No meio desse fogo cruzado de acusações e defesas, a principal preocupação do segurado é, sem dúvida, a continuidade do seu pagamento. A boa notícia é que, neste ponto, o INSS trouxe clareza e tranquilidade.


Para Quem Já Recebe Pelo Agibank


Se você é um dos beneficiários que atualmente recebe seu pagamento mensal através do Agibank, pode respirar aliviado. O INSS informou que, apesar da suspensão do contrato para novos pagamentos, os atuais beneficiários podem continuar a receber seus valores normalmente pelo banco, caso assim desejem. Nenhuma providência imediata é necessária da sua parte. Seu dinheiro continuará sendo depositado na mesma conta, nas mesmas datas.


E Se Minha Portabilidade Foi Negada?


Aqui a orientação é diferente. Se você tentou transferir seu benefício do Agibank para outro banco e teve o pedido recusado sem uma justificativa clara, o INSS orienta que você procure a Ouvidoria do INSS. Este é o canal oficial para registrar sua reclamação e buscar uma solução para o seu caso. Não deixe seu direito de lado!


Seu Direito à Escolha: Como Pedir a Portabilidade Pelo Meu INSS


Se toda essa situação gerou desconfiança e você deseja mudar o banco onde recebe seu benefício, saiba que o processo pode ser feito de forma simples e digital, sem sair de casa. Nós te mostramos como.


  • Passo 1: Acesse o Meu INSS: Entre no portal meu.inss.gov.br ou utilize o aplicativo "Meu INSS", disponível para Android e iOS.

  • Passo 2: Novo Requerimento: Na tela inicial, busque pela opção "Novo Pedido" ou um ícone similar.

  • Passo 3: Encontre a Opção Correta: Na lista de serviços, clique em “Alterar Local ou Forma de Pagamento”.

  • Passo 4: Informe Seus Dados: Você precisará informar os dados da nova conta (em outra instituição financeira) onde deseja passar a receber o benefício.

  • Passo 5: Finalize o Pedido: Leia com atenção as informações que aparecerão na tela, clique em "Avançar" e finalize a sua solicitação.


O processo é projetado para ser intuitivo, garantindo sua autonomia e poder de escolha.


Olhando Para o Futuro: Transparência e Segurança


Este episódio serve como um poderoso lembrete da importância da vigilância e da transparência. Para nós, beneficiários, é fundamental estarmos cientes de nossos direitos e dos canais oficiais de comunicação. Nenhuma instituição financeira pode agir como porta de entrada para o INSS. A central 135, o site e o aplicativo Meu INSS são os seus pontos de contato diretos e seguros.


Por outro lado, a suspensão do contrato força uma reflexão sobre os mecanismos de controle e fiscalização. O INSS, ao tomar essa medida, sinaliza que está atento às denúncias e agindo para proteger os segurados. O Agibank, por sua vez, tem agora a missão de colaborar com as investigações e restabelecer a confiança, não apenas com o órgão, mas principalmente com seus clientes.


A colaboração e o diálogo transparente entre as partes serão essenciais para resolver o impasse. Enquanto a poeira não baixa, a nossa recomendação é: mantenha-se informado por canais oficiais, desconfie de abordagens que pareçam suspeitas e não hesite em exercer seus direitos, seja para registrar uma reclamação na ouvidoria ou para solicitar a portabilidade do seu benefício. Afinal, a segurança e a tranquilidade no recebimento de um direito tão fundamental como a aposentadoria não têm preço.

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