Inadimplência atinge recorde histórico em agosto
- João Falanga
- 10 de set.
- 4 min de leitura

Panorama atual: inadimplência em alta recorde
Em agosto de 2025, a proporção de consumidores com contas em atraso chegou a 30,4%, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Essa é a maior taxa registrada desde o início da série histórica em janeiro de 2010. CNN Brasil
Em julho, esse índice era de 30,0%. Em agosto de 2024, era 28,8%. Ou seja, em apenas um ano houve um aumento de 1,6 ponto percentual na inadimplência. CNN Brasil
Outro indicador relevante: a proporção de consumidores que afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas vencidas avançou de 12,7% em julho para 12,8% em agosto. Em agosto de 2024 esse percentual era 12,1%. CNN Brasil
Esse cenário reflete que o endividamento do consumidor está superando a capacidade de pagamento das famílias. Um alerta claro no panorama econômico doméstico. CNN Brasil
Endividamento em crescimento
A proporção de famílias com dívidas a vencer subiu de 78,5% em julho para 78,8% em agosto — é o sétimo mês seguido de alta. CNN Brasil Esse percentual é o mais alto desde novembro de 2022, quando foi registrado um patamar semelhante.
Em comparação com agosto do ano passado (78,0%), houve aumento de 0,8 ponto percentual. CNN Brasil
No aspecto modalidades de crédito:
Cartão de crédito segue sendo o mais utilizado — citado por 84,5% dos endividados, embora tenha recuado levemente em relação aos 85,7% registrados em agosto de 2024. CNN Brasil
Já os carnês de loja cresceram, sendo citados por 16,6% dos endividados em agosto de 2025, contra 15,6% em agosto de 2024. CNN Brasil
Percepção sobre endividamento e prazo de pagamento
Apesar dos números negativos, houve uma leve melhora na autopercepção de endividamento: o percentual de pessoas que se consideram “muito endividadas” caiu de 15,5% em julho para 15,4% em agosto. CNN Brasil
Em relação ao prazo das dívidas, houve uma redução pelo oitavo mês consecutivo na proporção de famílias com compromissos financeiros com prazo superior a um ano — caiu de 31,5% em julho para 31,0% em agosto, o menor nível desde fevereiro de 2024. CNN Brasil
O que os especialistas da CNC apontam
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, alerta que o cenário evidencia que "o atual nível de endividamento começa a ultrapassar o limite da capacidade de pagamento das famílias", o que é especialmente preocupante diante de "crédito mais caro e prazos mais curtos". CNN Brasil
O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, reforça a necessidade de investimento em educação financeira e uso consciente do crédito, dado o avanço contínuo da inadimplência. CNN Brasil Bentes projeta ainda mais: até o fim de 2025, o endividamento deve aumentar 3,1 pontos percentuais e a inadimplência 1,6 ponto percentual. CNN Brasil
Por que a inadimplência está em alta?
1. Juros mais altos
Com o custo de crédito elevado, especialmente no cartão e cheque especial, o custo total das dívidas aumenta e torna o pagamento mais difícil.
2. Prazos menores
Quando os prazos para pagamento encolhem, as prestações se concentram, tornando o peso no orçamento ainda maior.
3. Inflação e renda apertada
Mesmo que haja queda na inflação, a recuperação de poder de compra é lenta. O rendimento real das famílias, por vezes, não acompanha o crescimento dos preços.
4. Falta de educação financeira
Muitos consumidores tomam crédito sem avaliar juros, comprometimento de renda ou plano de quitação.
Impactos econômicos e sociais da inadimplência elevada
Repercussões imediatas:
Redução do poder de consumo: famílias inseguras com dívidas atrasam gastos, impactando lojas, serviços e setores como turismo.
Pressão sobre o sistema financeiro: aumentar provisões para calotes eleva custos dos bancos, repassados ao tomador de crédito.
Risco de estagnação: com menos circulação de crédito, a economia pode desacelerar ainda mais.
Desdobramentos sociais:
Aumento da desigualdade: famílias vulneráveis sofrem mais com juros altos e risco de exclusão financeira.
Impacto emocional: endividamento crescente afeta autoestima, saúde mental e torna as decisões financeiras ainda mais desgastantes.
No plano macro, a inércia pode minar a recuperação do varejo e tornar os indicadores econômicos menos favoráveis para investimentos.
Como consumidores podem reagir?
1. Renegociar dívidas
Buscar condições melhores, prazos mais longos ou juros menores pode aliviar o orçamento.
2. Priorizar o crédito mais caro
Comece quitando cartão de crédito e cheque especial — eles costumam ter os juros mais elevados.
3. Cortar gastos supérfluos
Avalie seu orçamento e corte o primeiro que sair: assinatura, entrega de apps, lazer fora de casa — pode parecer pequeno, mas tudo ajuda.
4. Planejar o uso de crédito
Todo empréstimo ou compra parcelada deve ser estratégica. Pergunte a si mesmo: “Consigo pagar sem apertar outras contas?”
5. Criar uma reserva de emergência
Comece guardando uma pequena quantia, mesmo que mensalmente. Isso reduz o risco de recorrer ao crédito em imprevistos.
O que empresas e governos também devem fazer
Para empresas:
Oferecer opções mais flexíveis de pagamento (como renegociação parcelada);
Investir em comunicação clara sobre juros e prazos;
Criar programas de educação financeira para clientes.
Para o setor público e reguladores:
Incentivar políticas de educação financeira nas escolas e comunidades;
Monitorar juros abusivos e práticas predatórias;
Facilitar o acesso a ferramentas de renegociação de dívidas e redes de apoio.
Conclusão
O recorde histórico de inadimplência alcançado em agosto de 2025 é uma bandeira vermelha para consumidores, empresas e governantes. O crédito mais caro, os prazos apertados e a renda ainda fragilizada criam um ambiente onde a capacidade de pagamento deixa de acompanhar o endividamento. O alerta da CNC não podia ser mais claro.
No entanto, cada família, empresa e órgão público pode atuar para parar a escalada: com renegociação, educação financeira, cortes inteligentes e políticas de suporte. O caminho é duro, mas não é sem saída — é possível retomar o controle e construir um futuro financeiro mais saudável e sustentável.






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