Como a Reforma Tributária 2025 Afeta Bancos, Investimentos e Previdência
- João Falanga
- há 4 dias
- 6 min de leitura

Introdução — Por que isso importa para você
Quando falamos em reforma tributária, muita gente logo pensa em impostos pagos por empresas, consumo ou política pública distante do nosso dia a dia. Mas a recente Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei nº 15.270/2025 mudarão mais do que a forma de tributar consumo no Brasil: vão mexer, direta ou indiretamente, com contas bancárias, aplicações financeiras (como CDB, ações, fundos e previdência privada) e a forma como você paga imposto sobre o seu dinheiro.
Nesta conversa didática, quero te explicar, com clareza — sem juridiquês — o que está acontecendo, o que muda e como isso pode impactar o seu bolso. Vamos?
1. O que é essa reforma tributária?
Antes de detalhar impactos, é importante entender a base da mudança.
Emenda Constitucional nº 132/2023
No fim de 2023, o Brasil aprovou a EC 132/2023, marco da maior modificação no sistema tributário em décadas. Essa Emenda transforma toda a forma de tributar o consumo, substituindo tributos sobre bens e serviços por um novo modelo inspirado no IVA (imposto sobre valor agregado), que será dividido entre União, Estados e Municípios.
Lei nº 15.270/2025
Já em 2025, foi sancionada a Lei 15.270, que traz mudanças importantes no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), incluindo:
Ampliação da faixa de isenção do IRPF;
Tributação de dividendos e lucros acima de certos valores;
Criação de tributação mínima para contribuintes de alta renda.
Essas mudanças entram em vigor a partir de 2026, mas com efeitos que você já precisa entender hoje.
2. Como a reforma vai afetar quem tem conta em banco
Se você tem conta corrente ou conta poupança, pode respirar naturalmente: a reforma não cria um “imposto sobre cada movimentação” em contas pessoais da forma sensacionalista que alguns vídeos e posts sugerem. O sistema bancário segue funcionando normalmente. Mas há algumas mudanças que podem surgir de forma indireta:
a) Tributação sobre rendimentos
Se o seu dinheiro está rendendo, por exemplo:
juros de títulos bancários;
rendimento de contas remuneradas;
ganho em operações de capital no banco;
Houve propostas que aumentariam a forma de tributar tais rendimentos — e mesmo uma tentativa de nova alíquota de IOF sobre algumas transações —, mas o Congresso derrubou parte das propostas mais restritivas, como alíquotas elevadas de IOF em operações e crédito.
Isso mostra que o governo e o legislativo estão atentos para não tributar rotineiramente o uso do banco, mas sim o ganho real que você obtém sobre o que aplica.
3. Mudanças que impactam aplicações financeiras
Aqui a conversa importa de verdade: se você investe em ações, renda fixa, fundos, previdência ou outros veículos, a tributação pode mudar.
a) Tributação de dividendos
Uma das grandes novidades da Lei 15.270/2025 é a reintrodução da tributação sobre dividendos e parte dos lucros distribuídos, coisa que estava isenta no Brasil por décadas. Agora:
Há uma faixa de isenção que foi ampliada, ou seja, lucros menores continuam não tributados;
Para lucros acima de certos valores, há tributação de 10% sobre o excedente;
Também foi criada a ideia de tributação mínima para pessoas com rendimentos muito altos.
Isso significa que se você recebe dividendos via ações ou lucros de empresas, pode pagar mais imposto do que pagava antes.
b) Alteração de imposto sobre ganhos de capital
Desde meados de 2025, foram publicadas medidas provisórias que mexem na forma de tributar ganhos em mercados de capitais:
Alíquotas de ganho de capital podem ser ajustadas;
Há novas alíquotas mais altas para day trade, e alterações em investimentos que antes eram isentos;
Alguns segmentos como imóveis ou agronegócio passam a ter tributação adicional em certos casos.
Quem investe com frequência — especialmente em renda variável ou ativos de curto prazo — precisa revisar sua estratégia tributária.
4. E a previdência privada?
A previdência complementar (PGBL/VGBL) é uma das aplicações mais discutidas quando o assunto é tributação, porque a forma de pagar imposto depende da tabela regressiva ou progressiva.
a) Tributação na saída
Tradicionalmente, o imposto nessas aplicações ocorre quando você resgata ou começa a receber a renda. A reforma tributária não alterou diretamente a regra de cobrança aqui. O que ela fez foi alterar:
A base e progressividade do IRPF;
A forma como lucros e rendimentos são tributados.
Isso pode significar que no momento do resgate de uma previdência privada, você pode pagar mais imposto — especialmente se tiver altos rendimentos acumulados, porque a base vai mudar conforme as novas regras de IRPF da Lei 15.270.
b) Imposto sobre rendimentos dentro da previdência
Se parte do seu plano previdenciário investe em ações ou títulos que começam a pagar tributação mais alta sobre dividendos ou ganho de capital, o resultado líquido pode diminuir. Isso não é tributo novo na previdência, mas resultado indireto da tributação mais ampla sobre aplicações no Brasil.
5. Exemplos práticos (sem complicar)
Para fixar bem a ideia, vamos a alguns cenários reais:
Exemplo 1 — você tem ações e recebe dividendos
Antes: Dividendos eram isentos (sem imposto no recebimento). Depois: Dividendos acima de certo valor podem pagar 10% de imposto sobre o excedente.
Conclusão: Você pode pagar mais imposto sobre os dividendos do que pagava antes.
Exemplo 2 — você vende um fundo de ações e lucra
Antes: O imposto podia variar conforme o tipo de fundo e a alíquota dependia de tempo de aplicação.
Depois: Com novas regras publicadas em medidas que acompanham a reforma, gammas de alíquotas mudam — inclusive com possibilidade de 17,5% para ganhos gerais e 20% para operações de curtíssimo prazo/dia.
Conclusão: Ganho de capital pode ter tributação diferente, com impacto direto no que você recebe.
Exemplo 3 — você tem previdência privada
A forma de calcular imposto no resgate pode mudar sim, porque agora estamos falando de nova estrutura de IRPF e tributação mínima para altos rendimentos (criada pela Lei 15.270).
Conclusão: Dependendo de quanto você já ganhou, pode pagar mais imposto na hora do saque.
6. O que não muda diretamente
É importante separar medo de fato:
❌ A reforma não cria um imposto direto toda vez que você usa o cartão, deposita ou saca dinheiro. ❌ A reforma não quer “bloquear depósitos” simplesmente porque alguém recebe valor alto. ❌ Não há tributo automático sobre entrada de dinheiro na conta.
Essas narrativas foram reforçadas em redes, mas são conclusões equivocadas, não previstas na lei aprovada.
O foco é tributar ganho econômico, não cada movimentação bancária.
7. O lado empresarial e estrutural da reforma
Embora o foco deste artigo seja você como indivíduo, vale mencionar que a reforma também faz alterações profundas:
Substitui vários tributos sobre consumo por um modelo de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), simplificando o sistema e eliminando a cumulatividade de impostos.
Isso pode impactar o custo de produtos e serviços que você paga no dia a dia — inclusive as tarifas bancárias ou serviços financeiros — pois empresas estarão pagando tributos de forma diferente.
8. Como se preparar (sem pânico)
Aqui vão passos práticos que você pode tomar hoje:
a) Reavalie sua carteira de investimentos
Converse com seu assessor ou use simuladores para ver como os novos percentuais de imposto impactam o retorno líquido.
b) Pense no longo prazo
Tributação mais alta em operações de curto prazo pode tornar investimentos de longo prazo mais atraentes.
c) Planeje a previdência
Se você usa previdência privada, entenda como a nova tabela de IRPF e as regras mínimas de tributação podem afetar o saque.
d) Atualize seu software de gestão financeira
Muitos sistemas de controle financeiro precisarão de atualização para refletir as novas alíquotas e bases de cálculo.
9. Conclusão — O que vai realmente mudar
👉 A reforma que entra em vigor em 2026 não vai cobrar imposto só por você usar o banco. 👉 A grande transformação é na forma de tributar seus rendimentos e ganhos com investimentos e previdência. 👉 A Oliveira no imposto sobre dividendos e a criação de tributação mínima para altas rendas são pontos centrais para pessoas com aplicações maiores.
Encarada com informação e planejamento, essa reforma pode te deixar melhor preparado para pagar menos imposto possível, sem surpresas.






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