top of page

Pancreatite e canetas emagrecedoras: alerta da Anvisa

Imagem horizontal em proporção 16:9. À esquerda, logotipo da Anvisa em verde, azul e amarelo, seguido do texto em destaque: “ALERTA DA ANVISA” e “RISCO DE PANCREATITE”. Ao centro, ilustração anatômica do abdômen humano com representação do pâncreas em vermelho intenso, visualmente associado à inflamação. À direita, três canetas injetáveis em cores distintas, comprimidos e uma prescrição médica identificada com “Rx”. Na faixa inferior, três ícones com textos: “DOR ABDOMINAL INTENSA”, “RISCO GRAVE À SAÚDE” e “USO INADEQUADO”.

Em 9 de fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta de farmacovigilância destacando o risco de pancreatite aguda associado ao uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 — popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”.


A medida visa reforçar as orientações de segurança e ressaltou que o uso desses medicamentos deve ocorrer apenas com indicação e acompanhamento médico.


Esses medicamentos, que incluem substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, são utilizados para tratamento de diabetes, obesidade em casos específicos e, em algumas situações, para redução de riscos cardiovasculares. No entanto, o uso fora das indicações aprovadas ou sem orientação adequada pode elevar o risco de efeitos adversos graves.


Por que o alerta foi emitido?


A Anvisa informou que, embora o risco de pancreatite já esteja descrito nas bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, houve um aumento de notificações de eventos adversos graves tanto no país quanto no exterior, o que motivou o reforço das orientações de segurança.


Dados recentes


Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses medicamentos no Brasil, incluindo seis casos com desfecho de óbito associados à pancreatite aguda.

Esse cenário preocupante levou a Anvisa a enfatizar que a população precisa estar bem informada sobre os riscos e que o uso deve ser guiado por profissionais habilitados.


O que é pancreatite e por que ela é grave?


A pancreatite é a inflamação do pâncreas — um órgão crucial para a digestão e o controle de glicose no sangue. A forma aguda pode surgir de maneira súbita e causar dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e, em casos graves, pode evoluir para formas necrotizantes com risco de fatalidade.


Quando associada ao uso de medicamentos, a pancreatite pode estar ligada a alterações metabólicas desencadeadas pela medicação ou até pela uso inadequado, sem supervisão médica.


Por que o uso indevido é um problema?


1. Utilização fora das indicações aprovadas


Nos últimos anos, essas canetas ganharam enorme atenção nas redes sociais e na mídia como solução rápida para perda de peso, muitas vezes sem a presença de indicação clínica legítima.


Isso inclui a busca por emagrecimento estético sem necessidade médica comprovada, o que preocupa as autoridades sanitárias.


Os medicamentos agonistas de GLP-1 são aprovados para tratamento de:


  • Diabetes tipo 2;

  • Obesidade ou sobrepeso com comorbidades, com critério clínico;

  • Algumas indicações específicas relacionadas a risco cardiovascular.


Quando usados fora dessas indicações ou sem acompanhamento médico, há risco de dosagem inadequada, atraso no diagnóstico de efeitos adversos e exposição a complicações graves como pancreatite.


2. Produtos falsificados ou de origem incerta


A Anvisa também investiga a possível circulação de produtos falsificados ou sem registro, que podem agravar ainda mais os riscos à saúde dos usuários, já que esses produtos não passam por avaliação rigorosa de segurança e eficácia.


Esse é um alerto importante, especialmente considerando que a procura por medicamentos desse tipo em mercados paralelos e importação não regulada vem aumentando.


Medidas regulatórias recentes


Para tentar reduzir o uso inadequado, a Anvisa determinou, em junho de 2025, que farmácias e drogarias retenham a receita médica desses medicamentos no ato da venda — uma prática semelhante ao controle de antibióticos.


A receita deve ser apresentada em duas vias e tem validade de até 90 dias após a emissão.


Essa medida foi adotada diante do número crescente de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas, com o objetivo de proteger a saúde pública e promover uma prescrição mais responsável.


Como identificar sinais de pancreatite


A Anvisa orienta que os usuários de canetas agonistas de GLP-1 procurem atendimento médico imediato se apresentarem sinais que podem indicar pancreatite, tais como:


  • Dor abdominal intensa e persistente;

  • Que pode irradar para as costas;

  • Náuseas e vômitos frequentes.


Esses sinais necessitam de atenção urgente, especialmente em pessoas que estejam utilizando medicamentos agonistas de GLP-1 sem acompanhamento médico adequado.


Orientações da Anvisa para pacientes e profissionais


Para usuários


  • Use apenas com prescrição e acompanhamento de um profissional habilitado;

  • Não utilize para fins estéticos ou emagrecimento sem necessidade clínica;

  • Procure atendimento médico imediato diante dos sinais de pancreatite;

  • Nunca retome o medicamento se um episódio de pancreatite for confirmado;

  • Não adquira medicamentos por fontes não confiáveis (internet ou comércio informal).


Para profissionais de saúde


  • Esteja atento ao risco de pancreatite em pacientes que recebem agonistas de GLP-1;

  • Oriente claramente sobre os sinais de alerta e necessidade de acompanhamento;

  • Interrompa o tratamento ao suspeitar de reação adversa;

  • Notifique qualquer suspeita de evento adverso no sistema VigiMed da Anvisa, que monitora reações associadas a medicamentos e vacinas.


O papel da farmacovigilância


O alerta reforça a importância da farmacovigilância — o processo contínuo de monitoramento da segurança dos medicamentos após sua aprovação e comercialização.


A participação ativa de profissionais de saúde e pacientes em notificar reações adversas contribui diretamente para a detecção precoce de riscos e medidas preventivas eficazes.


Conclusão

O comunicado da Anvisa sobre o risco de pancreatite associado ao uso de canetas emagrecedoras (agonistas do receptor GLP-1) é um lembrete firme de que medicamentos potentes exigem respeito às indicações e supervisão médica.


Mesmo quando populares nas redes sociais ou percebidos como soluções aparentemente simples para emagrecimento, eles carregam riscos reais quando usados de forma inadequada.


O uso responsável, a educação dos pacientes e a atuação vigilante das autoridades de saúde são pilares fundamentais para garantir que os benefícios dessas terapias sejam usufruídos com segurança e eficácia.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page