Brasil tem 17 cientistas entre os mais citados globalmente
- Gabriela Oliveira

- 25 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

Brasil consolida presença na vanguarda da ciência: 17 pesquisadores altamente citados
Uma notícia recente que merece destaque: o Brasil alcançou 17 cientistas na prestigiosa lista anual da Clarivate, a Highly Cited Researchers (HCR), reconhecendo-os como parte do 1% mais citado globalmente em suas respectivas áreas. Essa conquista representa não apenas o crescimento da visibilidade internacional da pesquisa brasileira, mas também o valor estratégico de instituições como a USP para o avanço científico nacional. PODER NEWS+2Jornal USP+2
A seguir, analiso por que esse marco merece atenção — para cientistas, gestores, universidades e formuladores de políticas.
O que é a lista Highly Cited da Clarivate
A Clarivate Analytics elabora, anualmente, uma lista que mapeia os pesquisadores cujos trabalhos estão entre os 1% mais citados no mundo — com base em dados da Web of Science ao longo dos últimos 11 anos. PODER NEWS+2VEJA+2
Essa metodologia é rigorosa: não considera apenas quantidade de publicações, mas impacto via citações, e aplica filtros para reduzir distorções por autocitações. PODER NEWS
Por que esse avanço é significativo para o Brasil
Crescimento contínuoNo ano passado, o Brasil tinha 16 cientistas nessa lista — agora são 17. É uma progressão que sinaliza maturidade na produção científica brasileira. PODER NEWS+1
Instituições brasileiras em evidênciaA USP (Universidade de São Paulo) lidera entre as instituições nacionais, abrigando oito desses pesquisadores altamente citados. Jornal USP
Outras universidades também aparecem: Unesp, PUC-Rio, UFRGS, UFV, além de centros de pesquisa como o CTI Renato Archer e o CEMADEN. VEJA+2PODER NEWS+2
Diversidade de áreasEsses cientistas vêm de domínios variados: agronomia, biologia, engenharia, física, medicina, psicologia, entre outros. PODER NEWS
Representatividade regional e de gênero
Pela primeira vez, há um pesquisador da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande): o matemático Claudianor Oliveira Alves. VEJA+1
O número de mulheres entre os altamente citados também aumentou — de três para cinco. Diário do Centro do Mundo
A presença de nomes da ecologia e meio ambiente é notável: pesquisadores como Mauro Galetti (Unesp) reforçam a posição do Brasil no debate climático internacional. PODER NEWS
Quem são alguns dos destaques
Aqui estão alguns nomes e contribuições que ilustram a força do Brasil em diferentes frentes:
Carlos Augusto Monteiro (USP): referência em epidemiologia nutricional. VEJA+1
Renata Bertazzi Levy (USP): seu trabalho em saúde pública e nutrição é amplamente citado. VEJA
Mauro Galetti (Unesp): ecólogo que estuda a perda de biodiversidade e o impacto do Antropoceno. PODER NEWS
Claudianor O. Alves (UFCG): o matemático nordestino que reforça a diversidade geográfica da ciência brasileira. VEJA
Giselda Durigan (Instituto de Pesquisas Ambientais): uma das cinco mulheres da lista, com impacto em ecologia. PODER NEWS
Impactos e implicações estratégicas
Para as universidades
O destaque de tantas instituições brasileiras na lista HCR pode reforçar estratégias de captação de recursos, formação de redes globais e atração de jovens talentos. A USP, por exemplo, já tem tradição, mas a ampliação para outras instituições expande o ecossistema científico nacional.
Para políticas públicas
O reconhecimento bibliométrico pode embasar decisões de investimento em pesquisa, especialmente em áreas estratégicas como meio ambiente, saúde pública e matemática. Governos e agências de fomento podem usar esses dados para orientar financiamento e parcerias internacionais.
Para a inovação
Pesquisadores altamente citados têm mais visibilidade para colaborações globais, projetos de impacto social e aplicação prática de suas descobertas. Isso pode gerar spin-offs, startups científicas e conversão de pesquisa em soluções tecnológicas e ambientais.
Para a cultura científica
Esse tipo de reconhecimento inspira a próxima geração de cientistas brasileiros e fortalece a cultura de publicação, colaboração e impacto. Serve como prova de que a pesquisa nacional pode competir globalmente.
Desafios a considerar
Dependência bibliométrica: Medir excelência apenas por citações tem limitações. Nem toda pesquisa valiosa é “altamente citada” por outros pesquisadores, especialmente em áreas emergentes ou muito nichadas.
Financiamento desigual: Manter ou aumentar a presença na lista HCR exige recursos, infraestrutura e bolsas de pesquisa — nem todas as instituições brasileiras têm acesso equitativo a isso.
Equilíbrio entre ensino e pesquisa: Universidades precisam balancear as demandas de educação e formação de cientistas sem sacrificar a qualidade das publicações.
Sustentabilidade: Como garantir que esse reconhecimento bibliométrico vá além de números e se traduza em impacto social, inovação e benefício para o Brasil e o mundo?
Conclusão
A presença de 17 cientistas brasileiros na lista Highly Cited Researchers da Clarivate é um marco importante: mostra que a ciência nacional está ganhando força, visibilidade e relevância no cenário global.
É também um sinal estratégico: para universidades, agências de fomento e formuladores de políticas, reforça a importância de investir em pesquisa e colaboração. E para a comunidade científica, é uma inspiração — uma prova concreta de que talento e dedicação podem colocar o Brasil entre os mais influentes centros de produção de conhecimento.
Se você faz parte da academia, lidera uma instituição de pesquisa ou atua na política científica, vale refletir: como podemos alavancar esse momento para consolidar ainda mais a excelência brasileira e transformar impacto bibliométrico em transformações reais?






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