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O rei está morto. Vida longa ao rei! Pelé (1940-2022)



“Cem canções o nomeiam. Aos dezessete anos, foi campeão mundial e rei do futebol. Antes dos vinte anos, o governo do Brasil o nomeou um tesouro nacional que não deve ser exportado. Ele ganhou três campeonatos mundiais com a seleção brasileira e dois com o clube santista. Depois de seu milésimo gol, ele continuou contando. Jogou mais de mil e trezentas partidas em oitenta países, uma após a outra em um ritmo punitivo, e ele marcou quase trezentos gols. Certa vez, ele travou uma guerra: Nigéria e Biafra declararam uma trégua para vê-lo jogar.


Vê-lo jogar valia uma trégua e muito mais. Quando Pelé corria forte, ele cortava seus oponentes como uma faca quente na manteiga. Quando parava, seus adversários se perdiam nos labirintos que suas pernas bordavam. Quando ele saltou, ele subiu no ar como se fosse uma escada. Quando ele cobrou uma falta, seus adversários na barreira queriam se virar para a rede, para não errar o gol.


Ele nasceu em um lar pobre em uma aldeia distante e alcançou o ápice do poder e da fortuna, onde os negros não eram permitidos. Fora de campo, nunca deu um minuto do seu tempo e nunca caiu uma moeda do seu bolso. Mas aqueles de nós que tiveram a sorte de vê-lo jogar receberam esmolas de extraordinária beleza: momentos tão dignos da imortalidade que nos fazem acreditar que a imortalidade existe.”


Eduardo Galeano sobre Pelé, do Futebol de Sol e Sombra



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